A Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) tem reagido à expansão do mercado de canetas emagrecedoras provenientes do Paraguai e vetou, na última terça-feira (5), a importação de um produto que estava em fase de lançamento. O Slimex foi a sétima versão de tirzepatida, que é o mesmo princípio ativo do Mounjaro, da Eli Lilly. Com a medida, nenhum emagrecedor registrado pela Dinavisa, a agência reguladora paraguaia, pode entrar no Brasil.
O veto mais recente se deu na semana em que o Slimex começará a ser vendido nas farmácias, segundo publicações nas redes sociais de lojas do Paraguai e de influenciadores digitais. Autoridades que acompanham a reação da Anvisa dizem que há monitoramento de redes sociais para se antecipar e barrar produtos ainda em lançamento. A agência também decide os vetos a partir das informações que recebe de órgãos que atuam nas fronteiras.
As medidas tomadas pela Anvisa determinam a apreensão dos produtos, além da proibição da venda, distribuição, importação e uso. Os documentos afirmam que os remédios são fabricados por empresas desconhecidas e que as restrições se aplicam a quaisquer pessoas e empresas e veículos de comunicação que comercializam ou divulgam os emagrecedores.
A venda de medicamento sem registro da Anvisa é proibida, mas há margem para a importação para uso pessoal. No caso do Paraguai, a agência decidiu barrar essa alternativa por causa do aumento da circulação de produtos comprados e revendidos irregularmente. “Localizamos uma série de produtos importados, até transportados em roda de carro. Então este tipo de situação não é para consumo pessoal”, disse o presidente da Anvisa, Leandro Safatle.
A atuação da Anvisa mira um mercado paralelo ao dos medicamentos certificados pela agência brasileira, que são conhecidos por marcas como Ozempic (semaglutida, da Novo Nordisk), Mounjaro (tirzepatida, da Eli Lilly) e que tem dois produtos da farmacêutica nacional EMS contendo liraglutida. A agência também avalia novas regras sobre a venda de emagrecedores de farmácias de manipulação do Brasil. As discussões se dão em meio à explosão do consumo para fins estéticos e a investigações da Polícia Federal sobre farmácias que fabricam em larga escala e sem controle de qualidade adequado.
As chamadas canetas emagrecedoras são medicamentos agonistas de GLP-1, hormônio produzido naturalmente pelo corpo humano que atua no controle dos níveis de glicose no sangue e nos mecanismos de saciedade. A venda dos produtos no Paraguai é impulsionada por influenciadores digitais brasileiros e por ações de marketing das empresas locais, que têm feito lançamentos luxuosos de novas versões de tirzepatida.
O laboratório paraguaio Catedral apresentou o Tirzedral no fim de março, em evento com show do cantor Zé Felipe e voltado ao público brasileiro –o nome foi “Noite Vermelha”. Dias mais tarde a Anvisa vetou a importação da droga. O Slimex é fabricado pelo laboratório Eticos. Em fevereiro, a mesma empresa anunciou, em cerimônia com personalidades brasileiras, que deseja lançar o ReduFast, contendo retratutida. A substância ainda está em estudo pela Lilly e não tem registro de nenhuma agência sanitária.
As restrições impostas pela Anvisa são criticadas por parte dos consumidores e dos representantes do mundo político, sob argumento de que o tratamento vendido no país vizinho é mais barato. O deputado Mario Heringer (PDT-MG) apresentou projeto pela quebra de patente dos emagrecedores e defende a compra dos produtos do Paraguai. O deputado Fausto Pinato (União Brasil-SP) protocolou outro texto para derrubar os vetos da agência aos medicamentos do país vizinho.
(Mateus Vargas/Folhapress)








