sábado , 27 de junho de 2026 @ 15:35

todo tempo 3 970x250px
roberta kraemer
(Foto: Roberta Kraemer/Instituto Arara Azul)

Arara-azul volta a ser considerada ameaçada de extinção

A arara-azul-grande voltou a integrar a Lista Nacional Oficial de Espécies da Fauna Ameaçadas de Extinção, divulgada pelo Ministério do Meio Ambiente e Mudança do Clima (MMA). Reclassificada na categoria Vulnerável à Extinção (VU), a espécie passou a fazer parte da relação atualizada após avaliações conduzidas pelo Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio).

A nova lista reúne 790 espécies ou subespécies ameaçadas de extinção e nove consideradas extintas. Ao todo, 180 espécies foram incluídas ou tiveram sua classificação revista, enquanto outras 150 deixaram a relação. Entre as novas inclusões estão, além da arara-azul-grande, o bugio-preto e o tamanduaí.

Segundo o Instituto Arara Azul, os grandes incêndios registrados no Pantanal nos últimos anos foram determinantes para o retorno da ave à lista. A presidente da entidade, a bióloga Neiva Guedes, afirma que as queimadas destruíram ninhos, ovos, filhotes e áreas essenciais para alimentação e reprodução da espécie, além de alterar o equilíbrio ecológico do bioma.

Dados do monitoramento realizado pelo instituto desde 1990 apontam redução no número de casais reprodutores e no sucesso da reprodução após os incêndios. A pesquisa também identificou aumento de problemas de saúde em filhotes, como lesões na pele, baixo desenvolvimento e maior incidência de nanismo.

Neiva Guedes destaca que o trabalho de conservação desenvolvido nas últimas décadas permitiu a recuperação da população da arara-azul, levando a espécie a deixar a lista de ameaçadas em 2014. Entre as ações estão a instalação de ninhos artificiais, o manejo de ninhos naturais e o monitoramento contínuo das aves. Apesar dos avanços, ela afirma que os incêndios voltaram a colocar a espécie em risco.

A atualização da lista contempla mamíferos, aves, répteis, anfíbios e invertebrados terrestres classificados nas categorias Vulnerável (VU), Em Perigo (EN), Criticamente em Perigo (CR), Possivelmente Extintas (CR-PE) e Extintas na Natureza (EW). Os invertebrados terrestres representam o maior grupo, com 264 espécies ameaçadas, seguidos por 242 aves, 123 répteis, 102 mamíferos e 59 anfíbios.

De acordo com o ministro do Meio Ambiente e Mudança do Clima, João Paulo Capobianco, a lista é um dos principais instrumentos para a proteção da biodiversidade brasileira, ao subsidiar ações de recuperação e conservação das espécies. O presidente do ICMBio, Mauro Pires, destacou que o Brasil está entre os poucos países com capacidade técnica para avaliar o estado de conservação de sua biodiversidade em escala nacional.

saa 0089 26 copa do mundo webbanner 2 970x150px
todo tempo 1 970x250px