A audiência pública promovida pelo Escritório do Representante Comercial dos Estados Unidos (USTR) para discutir a proposta de aplicação de uma tarifa adicional de 25% sobre produtos brasileiros foi encerrada nesta terça-feira (7), em Washington. Ao longo dos dois dias de debates, representantes de empresas, associações e entidades brasileiras e norte-americanas apresentaram argumentos favoráveis e contrários à medida.
A decisão do governo dos EUA sobre a proposta está prevista para sair em 15 de julho. Durante as audiências, representantes de setores produtivos dos dois países defenderam que a tarifa não seja aplicada ou solicitaram a ampliação da lista de exceções prevista pelo USTR.
Entre os argumentos apresentados estiveram o aumento de custos para consumidores norte-americanos, o impacto sobre cadeias produtivas e a dependência da indústria dos EUA de insumos produzidos no Brasil. Entidades ligadas à pecuária americana defenderam a inclusão da carne bovina brasileira entre os produtos sujeitos à tarifa. Os representantes afirmaram que o aumento das importações afeta produtores dos Estados Unidos e citaram questões relacionadas ao desmatamento ilegal e à rastreabilidade do rebanho.
Defesa
Representantes de entidades brasileiras contestaram os fundamentos da investigação conduzida pelo USTR. Durante as apresentações, argumentaram que a legislação ambiental brasileira prevê mecanismos de controle, que a competitividade do agronegócio resulta de ganhos de produtividade e que as regras aplicadas ao etanol seguem normas da Organização Mundial do Comércio (OMC).
No segundo dia da audiência, o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) pediu que o governo norte-americano não aplique a tarifa de 25% sobre produtos brasileiros. Durante sua manifestação, o parlamentar defendeu a manutenção do Pix e solicitou que a medida seja retirada para permitir a continuidade das negociações entre Brasil e Estados Unidos.
Além de Flávio Bolsonaro, participaram dos painéis representantes de entidades como a Confederação Nacional da Indústria (CNI) e a Associação Brasileira das Indústrias de Calçados (Abicalçados), além de empresas e associações dos dois países.
Petição
A petição contrária às tarifas não ficou restrita apenas a representantes do setor produtivo. Grandes empresas como Tesla, Nestlé, Coca-Cola e eBay enviaram cartas ao USTR solicitando que produtos importados do Brasil f iquem de fora da imposição de tarifas adicionais sob a investigação da Seção 301.
A Tesla solicitou ao USTR a isenção de tarifas para insumos industriais brasileiros utilizados na fabricação de veículos elétricos, robótica e baterias.
Já a Nestlé defendeu a exclusão de produtos brasileiros como café em grão e colágeno bovino das tarifas, destacando que os Estados Unidos não possuem produção suf iciente desses itens para atender à demanda interna.
A Coca-Cola, por sua vez, pediu que o suco de laranja brasileiro permaneça isento de tarifas, pedindo ainda que o limão e seus derivados também sejam incluídos na lista de exceções.
Enquanto isso, a eBay solicitou que produtos usados, seminovos e de segunda mão sejam retirados da aplicação das tarifas, argumentando que esses itens não representam uma ameaça à produção industrial ou agrícola americana.







