quarta-feira , 04 de fevereiro de 2026 @ 05:26

todo tempo 3 970x250px
bebidas
foto: divulgacao /banco de imagens

Com moderação: 36% beberam menos no último ano

O consumo de bebidas alcoólicas continua presente na rotina da maioria dos brasileiros, mas os dados mais recentes apontam para um movimento de maior moderação. Pesquisa da Opinion Box, realizada com 1.021 entrevistados em todo o país, revela que 69% consomem bebidas alcoólicas, ainda que com baixa frequência, enquanto 31% afirmam não beber nunca. Entre os consumidores, apenas 1% relata consumir diariamente, o que reforça a percepção de que o álcool está cada vez mais associado a ocasiões pontuais.

Equilíbrio

A frequência mostra um padrão equilibrado: 22% bebem ao menos uma vez por semana, 30% consomem apenas ocasionalmente, enquanto o restante divide o hábito entre intervalos quinzenais ou mensais. Quando comparam o presente com o passado recente, 36% dizem consumir menos álcool do que há 12 meses, 53% afirmam manter o mesmo nível e apenas 11% relatam aumento. Para os próximos 12 meses, a tendência permanece: 66% acreditam que o consumo seguirá igual, 28% projetam redução e somente 6% esperam aumentar.

Metabolismo

Para o nutrólogo Victor Camarão, esses números dialogam diretamente com a crescente preocupação com a saúde metabólica. Segundo ele, o organismo não interpreta o álcool como algo inofensivo, mesmo quando consumido com moderação. “Sempre que bebemos, o corpo precisa pausar outras funções importantes para metabolizar o álcool. Ao longo do tempo, isso favorece o acúmulo de gordura abdominal e gera um desgaste silencioso no fígado e no metabolismo”, explica.

Impacto

Na prática clínica, esse impacto é recorrente. Pessoas que se alimentam bem e praticam atividade física, mas não conseguem emagrecer ou melhorar exames, muitas vezes têm no álcool um ponto cego. “Ele soma calorias sem nutrir, prejudica a saciedade e interfere no controle do açúcar no sangue, facilitando o ganho de peso e aumentando o risco de doenças como o diabetes”, afirma o especialista.

Preferência

Apesar do cenário de cautela, a cerveja segue como a bebida alcoólica mais presente no país. A pesquisa aponta que 82% dos entrevistados afirmam consumir cerveja, ainda que eventualmente. Os formatos mais comprados são a latinha de 350 ml (40%), a long neck (39%) e a garrafa de 600 ml (27%), indicando preferência por embalagens práticas e de consumo social.

O corpo, no entanto, costuma dar sinais antes de adoecer. Cansaço frequente, sono de má qualidade, aumento da circunferência abdominal, queda de disposição, alterações de humor e redução da libido estão entre as queixas mais comuns. Muitos pacientes relatam melhora significativa ao reduzir o consumo, com mais energia, melhor sono e bem-estar geral.

Paralelamente, cresce a busca por alternativas. Entre as bebidas não alcoólicas mais consumidas estão sucos (62%), refrigerantes (53%) e água (44%). Ainda assim, 36% dos entrevistados afirmam ter dificuldade de encontrar boas opções sem álcool em bares, restaurantes e eventos, evidenciando uma mudança de comportamento ainda em transição.

Moderação

Para o nutrólogo, o equilíbrio está na consciência. Evitar o consumo diário, reservar a bebida para ocasiões específicas e respeitar os sinais do próprio corpo são atitudes simples, mas decisivas. No fim, os dados mostram que o brasileiro continua brindando, mas com mais atenção à saúde, entendendo que o que parece pouco no copo, quando frequente, pode ser muito para o corpo.

Mais

Pesquisa com 1.021 entrevistados indica que 1% dos brasileiros consumidores de álcool bebem diariamente. 36% reduziram a ingestão.

todo tempo 3 970x250px