As companhias aéreas brasileiras iniciaram um ajuste na malha doméstica diante da escalada dos custos operacionais e suspenderam mais de 2 mil voos previstos para maio. Os cortes ocorrem em meio à alta do petróleo no mercado internacional e aos sucessivos reajustes no querosene de aviação (QAV) aplicados pela Petrobras.
Levantamento com base no sistema da Agência Nacional de Aviação Civil (Anac) indica que, inicialmente, estavam programados 2.193 voos diários para o mês, número que caiu para 2.128 em consulta mais recente. Na prática, são 2.015 voos a menos no total mensal, uma retração de 2,9% na oferta.
Apesar de percentual considerado moderado, o impacto operacional é relevante: cerca de 10 mil assentos deixam de ser ofertados diariamente, o equivalente à retirada de aproximadamente 12 aeronaves de médio porte, como modelos Boeing 737, Airbus A320 e Embraer 195, da malha aérea.
Os cortes atingem, principalmente, mercados regionais. Entre os estados mais afetados estão Amazonas, com redução de 17,5% no número de voos, seguido por Pernambuco (-10,5%), Goiás (-9,3%), Pará (-9,0%) e Paraíba (-8,9%).
Segundo relatos de executivos do setor, as suspensões têm se concentrado, até o momento, em rotas menos rentáveis, sem impacto relevante nas principais ligações do país, como São Paulo – Rio de Janeiro e São Paulo – Brasília. Ainda assim, a avaliação é de que o movimento pode se intensificar caso o cenário de custos elevados persista.
A pressão sobre as companhias aumentou após o reajuste de cerca de 54% no preço do QAV no início de abril. A estatal responsável pelo fornecimento atualiza os valores mensalmente, e há expectativa de um novo aumento já em 1º de maio. Estimativas preliminares apontam para alta próxima de 20%, dependendo das variações do mercado internacional de petróleo nas últimas semanas.
Diante desse cenário, a Associação Brasileira das Empresas Aéreas (Abear) classifica os impactos como severos e informa manter diálogo com o governo federal para tentar mitigar os efeitos sobre o setor e os passageiros.
Entre as medidas anunciadas estão a isenção de PIS/Cofins sobre o combustível, o adiamento de tarifas de navegação aérea e a possibilidade de financiamento com recursos do Fundo Nacional de Aviação Civil (FNAC), além do parcelamento do reajuste aplicado pela Petrobras.
Nos bastidores, porém, empresas avaliam que as iniciativas ainda têm alcance limitado diante da magnitude da alta de custos. Também há insatisfação com as condições financeiras do parcelamento do combustível, que prevê juros superiores às taxas básicas da economia.
O setor defende, ainda, a adoção de medidas adicionais, como a retomada da alíquota zero de Imposto de Renda sobre o leasing de aeronaves e a revisão de tributos financeiros, como o IOF. Enquanto isso, o encarecimento do combustível segue como principal fator de pressão sobre a operação das companhias e pode continuar impactando a oferta de voos no país.








