Estudos científicos recentes indicam que até 30% das pessoas diagnosticadas com depressão podem apresentar um subtipo específico da doença associado a processos inflamatórios e alterações metabólicas no organismo. O quadro é conhecido como depressão imunometabólica e foi destacado em uma revisão publicada na revista Nature Mental Health.
De acordo com os pesquisadores, esse tipo de depressão ajuda a explicar por que uma parcela significativa dos pacientes não responde de forma adequada aos antidepressivos tradicionais, que atuam principalmente na regulação de neurotransmissores como serotonina e dopamina. No caso da depressão imunometabólica, o problema estaria ligado a mecanismos mais complexos do corpo, envolvendo inflamação leve e persistente, além de alterações no metabolismo da glicose, da insulina e na produção de energia celular.
Os estudos também apontam que os sintomas podem se diferenciar dos quadros clássicos da doença. Entre os sinais mais comuns estão fadiga intensa, sono excessivo, aumento do apetite, redução da energia e perda de interesse pelas atividades cotidianas, o que reforça a necessidade de abordagens terapêuticas mais individualizadas.
Especialistas destacam que a identificação desse subtipo amplia a compreensão sobre a depressão como uma condição multifatorial, que vai além dos desequilíbrios químicos no cérebro. A descoberta abre caminho para tratamentos mais personalizados, que podem incluir estratégias voltadas ao controle da inflamação, ao metabolismo e ao funcionamento global do organismo, além do cuidado com a saúde mental tradicional.







