As geleiras da Suíça estão perdendo um volume de água equivalente a uma piscina olímpica a cada seis segundos. O dado foi divulgado por Matthias Huss, responsável pela Rede de Monitoramento de Geleiras da Suíça (Glamos), após constatar que toda a neve acumulada durante o último inverno já desapareceu por completo. Com o fim precoce dessa cobertura protetora, a forte onda de calor que atinge a Europa passou a derreter diretamente o gelo antigo, formado ao longo de décadas e até de séculos.
O esgotamento prematuro da neve fez com que o chamado “dia da perda das geleiras” acontecesse muito antes do esperado, tornando-se uma das marcas mais adiantadas desde o ano 2000. Na série histórica, apenas o ano de 2022 registrou um limite mais precoce, quando a marca foi atingida em 26 de junho. Em entrevista ao jornal The Guardian, Huss explicou que a perda massiva em toda a cadeia dos Alpes resulta de uma combinação climática que envolve um inverno com pouca neve, temperaturas elevadas em maio e a atual onda de calor extremo.
Outro fator que contribuiu para acelerar o processo foi a chegada de poeira do deserto do Saara no início do ano. As partículas escureceram a superfície glacial, favorecendo a absorção de calor. Os efeitos práticos são visíveis em curto espaço de tempo: em uma visita à geleira do Ródano, o especialista constatou o desaparecimento de cerca de um metro de gelo em apenas dez dias. A partir de agora e até o mês de outubro, qualquer derretimento representará uma redução líquida e efetiva no tamanho das geleiras suíças.
As consequências do fenômeno se estendem para além das montanhas, uma vez que grande parte da água que abastece os rios Reno e Ródano, dois dos principais cursos d’água do continente europeu, depende diretamente do degelo dos Alpes. Desde o ano 2000, o volume total das geleiras suíças já encolheu 38%. O balanço aponta que cerca de 1.200 geleiras desapareceram nos últimos 50 anos, restando aproximadamente 1.300 massas de gelo no país atualmente.
Os cientistas alertam que as condições climáticas de 2026 apresentam forte semelhança com as de 2022, considerado até o momento o ano mais severo já documentado para as geleiras da região. Caso o ritmo do aquecimento global verificado nas últimas décadas persista, os pesquisadores projetam que, até o fim do século, restarão apenas pequenos fragmentos isolados de gelo nos Alpes Suíços.







