O presidente da Venezuela, Nicolás Maduro, afirmou que seu governo está disposto a negociar com os Estados Unidos acordos nas áreas de petróleo, imigração e combate ao narcotráfico. A declaração foi feita em entrevista divulgada na quinta-feira (1º) e repercutida nesta sexta-feira (2), indicando um possível movimento de distensão nas relações entre Caracas e Washington, historicamente marcadas por tensões diplomáticas e sanções econômicas.
Segundo Maduro, a Venezuela está aberta ao diálogo com os Estados Unidos “onde quiserem, quando quiserem e como quiserem”, desde que as negociações sejam conduzidas com seriedade e respeito à soberania venezuelana. O presidente destacou que eventuais acordos devem ocorrer em bases de igualdade entre os países.
No campo econômico, Maduro mencionou a possibilidade de participação de empresas norte-americanas no setor petrolífero venezuelano, área estratégica para a economia do país. Ele citou a Chevron como exemplo de companhia interessada em ampliar a cooperação energética, tema sensível em razão das sanções impostas pelos EUA nos últimos anos.
O presidente também abordou a questão migratória, afirmando que um acordo firmado em janeiro de 2024 teria sido interrompido de forma unilateral pelos Estados Unidos. De acordo com ele, a suspensão do entendimento afetou diretamente o fluxo de venezuelanos entre os dois países.
Sobre o narcotráfico, Maduro negou que a Venezuela seja produtora de cocaína e propôs uma parceria com Washington para combater o tráfico de drogas. Segundo o presidente, o país seria vítima de rotas originadas principalmente na Colômbia, e não um agente central da produção.
Apesar do tom mais conciliador, Maduro criticou a postura militar dos Estados Unidos, acusando o país de adotar ações intimidatórias para pressionar a Venezuela em disputas relacionadas a recursos estratégicos, como petróleo e minerais. Ele também evitou comentar detalhes sobre um suposto ataque em território venezuelano citado por autoridades norte-americanas, afirmando que o assunto poderá ser tratado futuramente.
As declarações ocorrem em um contexto de pressão internacional e disputas geopolíticas, reacendendo o debate sobre uma possível reconfiguração das relações entre Venezuela e Estados Unidos.






