Cirurgiões defendem análise criteriosa e destacam que terapias clínicas podem estabilizar queda e fortalecer fios, e têm papel importante antes da cirurgia, indicada para recuperar áreas já sem folículos
Os avanços das técnicas de transplante capilar ampliaram as possibilidades de renovação visual para quem sofre com a calvície, mas a indicação da cirurgia exige cautela e individualização avaliativa, explica o cirurgião capilar Jefferson Rodrigues. Ele ressalta que nem todo paciente precisa recorrer imediatamente ao procedimento, e o tratamento clínico, embora limitado, pode resolver muitos casos.
“O transplante capilar é a solução definitiva para muitos, mas nem todos os pacientes devem começar o tratamento já com a cirurgia”, afirma o especialista. Ele explica que, principalmente nos estágios iniciais da queda, abordagens clínicas podem apresentar bons resultados. “Em casos específicos, o tratamento clínico pode ser suficiente para estabilizar o quadro, fortalecer os fios e melhorar a densidade capilar.”
A escolha entre tratamento clínico e transplante deve ser feita com base em uma análise criteriosa. “A decisão entre tratamento clínico e cirúrgico dependerá da avaliação, que tem de ser detalhada, considerando o grau da alopecia, histórico do paciente e qualidade da área doadora, tudo isso após abordagem individualizada”, destaca.
De acordo com Jefferson, um planejamento adequado é essencial para evitar intervenções desnecessárias, invasivas, e garantir maior eficácia. “Um plano bem definido evita procedimentos desnecessários e garante resultados mais consistentes a longo prazo.”
Medicações
Mas existe um limite para o tratamento clínico, especialmente em casos mais avançados de perda capilar. O dermatologista e cirurgião capilar Domingos Coelho explica que técnicas como a mesoterapia, também conhecida como intradermoterapia, que injeta vitaminas, minerais, aminoácidos e medicamentos diretamente no couro cabeludo, e os medicamentos por via oral ou tópicos podem contribuir, mas apresentam resultados moderados. “O tratamento estético, que inclui a mesoterapia, pode alcançar uma melhora de 15 a 25%, em média, podendo chegar a até 70%, em alguns casos”, observa.
Ele utiliza uma analogia simples para ilustrar a diferença entre os tratamentos: “Você imagina uma plantação onde você perdeu raiz. Não adianta você ficar adubando, adubando. Não vai crescer sem raiz.” Segundo ele, os tratamentos clínicos atuam onde ainda há folículos ativos. “Onde ainda existia a raiz, mesmo que pequenininha, se consegue uma melhora.”
Por outro lado, nos casos em que já houve perda definitiva dos folículos, o transplante capilar se torna a alternativa mais eficaz. “Se perder muita raiz, a calvície continua progredindo, porque é uma doença insidiosa, progressiva. Então, o paciente deve receber tratamento para impedir que perca os cabelos que ainda tem. Em caso de sucesso, fazer o transplante para quê? Mas se não for o suficiente, aí sim, faz o transplante para substituir as raízes perdidas.”







