Em tempos de Donald Trump (EUA), Javier Milei (Argentina), Giogia Meloni (Itália), Nayib Bukele (El Salvador), Viktor Orbán (Hungria), Jair Bolsonaro, que mesmo inelegível capitaliza grande força política no Brasil… a sensação universal é de um caminho à direita consolidado.
Os discursos são radicais, sem qualquer compromisso legal ou preocupação com a viabilidade – e nem estou falando de direitos humanos. Trump mesmo lidera o grupo dos que falam o que querem, forçando as instituições a recuar. Basta observar o tempo que a Casa Branca tem dedicado a retratações, esclarecimentos e notas explicativas, em um ciclo contínuo de controvérsias e tentativas de contenção.
Esse barulho todo, no entanto, não reflete integralmente o sentimento do próprio eleitor. E é importante ressaltar para que o cidadão não seja subestimado. Há reação, há reclamação e há quem não concorde com tudo o tempo todo.
Os resultados da pesquisa Ad Horc, divulgada na Argentina nesta semana, dão uma mostra disso. A popularidade de Milei caiu 9 pontos após suas declarações homofóbicas no Foro de Davos, na Suíça. Sua aprovação foi de 61% para 52% em 30 dias.
Durante seu discurso em Davos, o presidente argentino relacionou a homossexualidade com a pedofilia. Foi questionado, criticado e dobrou a aposta. Insistiu no erro. Não deu certo. Nem sempre dá.
Nenhuma estratégia é permanente e vale para todo lugar. A direita está em alta. Fato. Mas ela não está autorizada a dizer o que quer independente de qualquer coisa. Ninguém está.
Talvez esteja na compreensão deste limite o segredo da reeleição para direita, da permanência legítima no poder. Ou não. Como saber?