A Polícia Federal (PF) e a Controladoria-Geral da União (CGU) deflagraram, nesta quarta-feira (15), duas operações que investigam suspeitas de desvio de recursos públicos na área da saúde em Goiás. A apuração envolve organizações sociais (OSs) responsáveis pela gestão de unidades hospitalares.
Quatro empresários são alvos de mandados de prisão preventiva. Três deles têm ligação com a Mediall Brasil, enquanto outro é associado à Lifecare. Até o momento, um dos mandados ainda não havia sido cumprido.
As investigações atingem duas organizações sociais: a Associação de Gestão, Inovação e Resultados em Saúde (Agir), que administrou o Hospital de Campanha de Goiânia durante a pandemia e atualmente gerencia outras unidades estaduais, e o Instituto Brasileiro de Gestão Hospitalar (IBGH), responsável por hospitais em Aparecida de Goiânia e no interior do estado.
As operações, batizadas de Makot Mitzrayim e Rio Vermelho, cumprem ao todo 46 mandados de busca e apreensão em Goiás, São Paulo, Tocantins, Maranhão e no Distrito Federal. Entre os alvos de busca está o superintendente da Agir, além de familiares.
Segundo a PF, os crimes investigados incluem corrupção ativa e passiva, peculato, lavagem de dinheiro e fraudes em processos licitatórios. Há indícios de direcionamento de contratos e simulação de concorrência para beneficiar empresas envolvidas.
Uma das linhas de investigação aponta para um esquema de terceirização e “quarteirização” de serviços com indícios de superfaturamento. Parte dos recursos teria sido desviada para beneficiar empresas e agentes públicos responsáveis pela fiscalização dos contratos.
A Operação Rio Vermelho foca em irregularidades na gestão de recursos destinados ao Hospital de Campanha. Auditorias da CGU identificaram indícios de lucro indevido em contratações realizadas durante o período da pandemia.
Em nota, a Secretaria Estadual de Saúde de Goiás informou que colabora com as investigações e afirmou ter adotado medidas de controle e compliance desde 2023 para reforçar a fiscalização do uso de recursos públicos.
A Agir declarou que está apurando os fatos e que sempre colaborou com as autoridades, além de afirmar que suas contas foram aprovadas por órgãos de controle. A entidade também destacou que os serviços de saúde seguem funcionando normalmente.
Em nota, a Mediall Brasil afirmou que está colaborando integralmente com as investigações conduzidas pela Polícia Federal e pela Controladoria-Geral da União, e reiterou seu compromisso com a ética, a transparência e a legalidade. A empresa também destacou que o Tribunal Regional Federal da 1ª Região (TRF-1) concedeu habeas corpus aos diretores envolvidos, revogando as prisões preventivas. Segundo a Mediall, a decisão reconheceu, em análise preliminar, a ausência de elementos concretos que justificassem a manutenção das detenções. A companhia informou ainda que mantém todas as operações e contratos em funcionamento normal, sem interrupção dos serviços prestados na área da saúde.







