O operador estatal de energia elétrica de Cuba afirmou que a rede do país colapsou nesta segunda-feira (16), deixando todos os cerca de 10 milhões de habitantes da ilha sem luz. O país vive atualmente um bloqueio imposto pelos Estados Unidos sobre o petróleo, fundamental para a sobrevivência do setor energético da ilha.
O bloqueio já dura cerca de três meses, aprofundado pela captura do ditador da Venezuela, Nicolás Maduro, no início de janeiro. Caracas, agora liderado por Delcy Rodríguez sob a tutela de Washington, era o principal fiador energético da Havana.
A empresa afirmou em publicação na rede social que não foram detectadas avarias em nenhuma das usinas termelétricas em funcionamento do país quando a desconexão total do sistema ocorreu. Não há ainda informações sobre causas ou previsão de retomada do serviço.
A ilha já vivia sob apagões constantes há anos, problema que se aprofundou já no ano passado.
No sábado (14), manifestantes críticos ao regime atacaram um escritório do Partido Comunista no centro de Cuba, informou um jornal estatal, em uma rara explosão de dissidência pública provocada pelos apagões.
Cuba recebeu apenas duas pequenas embarcações com importação de petróleo neste ano, de acordo com dados de rastreamento de navios da LSEG vistos pela agência Reuters nesta segunda-feira.
O primeiro navio-tanque descarregou combustível em janeiro no porto de Havana, vindo do México, que também era um fornecedor regular para a ilha até então. A segunda embarcação, vinda da Jamaica, descarregou gás liquefeito de petróleo em fevereiro.
A estatal venezuelana PDVSA carregou gasolina no mês passado em um navio-tanque que havia sido usado anteriormente para transportar combustível para Cuba, mas a embarcação não deixou as águas venezuelanas, conforme mostraram documentos da empresa do país e dados de monitoramento de navios.
O regime cubano tem conversado com a Casa Branca, conforme admitiu o líder Miguel Díaz-Canel, em anúncio televisionado na última sexta-feira (13).
O contato não é inédito. Embora antagonistas, os dois países já passaram por outros momentos de negociação desde que a Revolução Cubana tirou do poder o ditador Fulgencio Batista, aliado dos EUA, em 1959. De lá para cá, ao menos 13 presidentes americanos tentaram, sem sucesso, alterar o status quo da ilha, combinando pressões estratégicas e cálculos domésticos.
Em nenhum momento, porém, os ventos pareceram tão favoráveis a Washington, que coloca a ilha como próximo alvo de movimentos agressivos da diplomacia do segundo mandato de Trump que refletem sua “Doutrina Donroe” de intervenções no Hemisfério Ocidental.
(Folhapress)







