Um estudo publicado na terça-feira (24) na revista Human Reproduction, da Oxford Academic, mostra que o consumo de ultraprocessados prejudica a fertilidade masculina e, nas mulheres, interfere no desenvolvimento do embrião.
Entre os homens, a dieta foi associada à redução da fecundabilidade, que é a probabilidade de engravidar em um mês de tentativa, e ao aumento do risco de subfertilidade, quando há mais de 12 meses de espera para engravidar ou necessidade de recorrer à reprodução assistida. Os resultados se mantiveram mesmo após considerar variáveis como a alimentação da parceira e outros fatores de estilo de vida.
Entre as mulheres, a fertilidade – medida pela probabilidade de gravidez em um mês de tentativa e pelo risco de subfertilidade – não apontou influência consistente da dieta. Por outro lado, o estudo mostrou que o consumo de ultraprocessados esteve relacionado ao menor crescimento do embrião no início da gestação.
O estudo observacional, conduzido por pesquisadores do Erasmus University Medical Center, na Holanda, integra uma coorte prospectiva de base populacional que acompanha casais desde o período pré-concepção até a infância dos filhos.
Os participantes foram recrutados entre 2017 e 2021, enquanto ainda tentavam engravidar ou no início da gestação. A pesquisa acompanhou a alimentação periconcepcional (antes e depois da gestação) de 831 mulheres e 651 homens por meio de questionário de frequência alimentar aplicado por volta da 12ª semana de gravidez. A mediana de ultraprocessados no total consumido foi de 22% entre as mulheres e de 25,1% entre os homens.
Nas gestantes, o consumo desses alimentos teve relação com um menor volume do saco vitelino na 7ª semana de gravidez. A estrutura é responsável por nutrir o embrião até que a placenta se forme. A associação entre a dieta e um menor crescimento embrionário perderam força nas avaliações das semanas 9 a 11 de gestação.
Os pesquisadores apontam que, nas mulheres, os ultraprocessados podem influenciar diretamente o ambiente intrauterino; nos homens, interferem na qualidade do esperma, com alterações na integridade e na motilidade dos espermatozoides, que determinam sua capacidade de nadar em direção ao óvulo. (Folhapress)








