quinta-feira , 25 de junho de 2026 @ 15:19

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PF e MPF deflagram operação contra fraude na Americanas e bloqueiam R$ 54 bilhões

A Polícia Federal (PF) e o Ministério Público Federal (MPF), deflagraram nesta quinta-feira (25) a segunda fase da Operação Disclosure. A nova etapa foca na apuração de uma fraude bilionária estimada em R$ 54 bilhões em nome dos envolvidos na fraude. Ao todo, agentes cumprem nove mandados de busca e apreensão nas capitais de São Paulo e do Rio de Janeiro. Além disso, a 10ª Vara Federal Criminal do Rio de Janeiro determinou o bloqueio de bens e valores dos investigados no montante total da fraude.

O objetivo da força-tarefa é esclarecer se acionistas da companhia e representantes de graesndes instituições financeiras privadas tiveram participação direta ou indireta no esquema ilegal. De acordo com as investigações, antigos executivos de alto escalão da Americanas teriam articulado um mecanismo fraudulento para inflar os lucros e o caixa corporativo de forma artificial. Com isso, os balanços financeiros eram manipulados para ocultar o endividamento real e impulsionar a valorização das ações da empresa na Bolsa de Valores.

As apurações apontam que a distorção dos dados contábeis permitia que os envolvidos recebessem bônus milionários por metas de desempenho financeiro que, na realidade, não correspondiam à situação da empresa. Os suspeitos também teriam lucrado por meio da venda de papéis com valor inflado artificialmente. As autoridades afirmam que a conduta configura a prática dos crimes de associação criminosa e de manipulação de mercado.

O esquema investigado utilizava-se de duas práticas comerciais comuns no varejo. A primeira delas é o chamado “risco sacado”, uma operação na qual a empresa repassa suas dívidas com fornecedores para instituições financeiras, que efetuam o pagamento direto e alongam os prazos para a varejista quitar o débito. No caso da Americanas, em vez de reclassificar a obrigação como uma dívida bancária nos relatórios contábeis, os executivos retiravam os valores correspondentes dos balanços, simulando que os compromissos com fornecedores haviam sido liquidados, sem registrar o novo passivo com os bancos.

A outra linha de apuração envolve as verbas de propaganda cooperada (VPCs), que consistem em incentivos e descontos concedidos por fornecedores em troca da veiculação de publicidade de seus produtos pela rede de varejo. Segundo os relatórios da Polícia Federal, a contabilidade da Americanas registrava VPCs fictícias ou com valores superfaturados, gerando um cenário financeiro positivo irreal para sustentar a fraude ao longo de anos.

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