quinta-feira , 02 de julho de 2026 @ 15:23

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Foto: Marcelo Souza/G1

Produção de biodiesel nos EUA fica abaixo das metas e pressiona plano de Trump para combustíveis renováveis

O plano do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, para ampliar a produção de biodiesel enfrenta dificuldades para cumprir as metas estabelecidas pelo governo. Segundo dados da Agência de Proteção Ambiental dos Estados Unidos (EPA), a produção atual está abaixo do necessário, aumentando o risco de escassez, alta nos preços dos créditos de combustíveis renováveis e até de uma revisão das metas oficiais.

Em maior, as refinarias geraram 736 milhões de créditos renováveis (RINs), volume inferior aos cerca de 915 milhões necessários por mês para atender as metas, de acordo com o economista agrícola Scott Irwin, da University of Illinois. Pelas estimativas do pesquisador, a produção acumulou um déficit de 1,41 bilhão de RINs nos quatro primeiros meses de 2026.

Especialistas avaliam que, para compensar esse atraso, as usinas de biodiesel precisariam operar acima do maior nível de produção já registrado pelo setor durante o restante do ano. “Não há como o setor cumprir as metas no ritmo em que está”, afirmou Paul Niznik, diretor de energia da Capstone LLC.

Parte da Produção também está compreendida com contratos de exportação, favorecidos pelos preços mais elevados após as interrupções na oferta provocadas pela guerra no Irã. Esses volumes, porém, não geram créditos para o cumprimento das metas da EPA.

O setor também enfrentou atrasos enquanto aguardava a regulamentação do crédito tributário federal 45Z para combustíveis limpos. As novas diretrizes flexibilizaram regras relacionadas ao uso da terra e ampliaram incentivos ao diesel renovável produzido com soja, mas produtores afirmam que ainda não está claro se as mudanças serão suficientes para compensar as perdas acumuladas.

Outro fator que afetou o mercado foi a valorização do petróleo em decorrência do conflito com o Irã, que aumentou a rentabilidade dos combustíveis fósseis e reduziu o incentivo para ampliar a produção de biodiesel.

A produção abaixo do esperado também vem reduzindo o chamado “banco de RINs”, reserva de créditos utilizada pelas refinarias para cumprir temporariamente as metas. Analistas alertam que, mantido o ritmo atual, esse estoque poderá se esgotar até o fim de 2026, pressionando ainda mais os preços dos créditos e elevando os custos para refinarias que dependem da compra desses certificados.

Diante desse cenário, a American Fuel and Petrochemical Manufacturers (AFPM) intensificou a pressão sobre o governo para rever as metas de biocombustíveis para 2026 e ingressou com uma ação judicial contra a EPA. Em resposta, a agência afirmou que avalia o cumprimento das metas considerando o desempenho ao longo de todo o ano e o uso de créditos já existentes para compensar os déficits temporários.

Para o analista Brett Gibbs, da Bloomberg Intelligence, a EPA pode ter subestimado tanto o volume de exportações de biodiesel quanto os impactos do conflito com o Irã sobre a oferta de matérias-primas, cenário que pode ampliar os desafios do governo nos próximos meses.

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