A proposta do governo dos Estados Unidos de aplicar uma tarifa adicional de 25% sobre produtos brasileiros e novas medidas relacionadas a comércio com 60 economias gerou reação de entidades empresariais e do governo brasileiro. Os setores produtivos alertam para possíveis impactos nas exportações, na indústria e no emprego, caso as medidas sejam implementadas.
Em comunicado, a Confederação Nacional da Indústria (CNI) afirmou acompanhar com preocupação a iniciativa do Escritório do Representante de Comércio dos Estados Unidos (USTR). A entidade destacou que a eventual adoção da tarifa pode afetar cadeias produtivas integradas entre os dois países e reduzir a competitividade dos produtos brasileiros no mercado norte-americano.
Tensão Comercial
Segundo a CNI, as exportações brasileiras da indústria de transformação para os Estados Unidos somaram US$ 30,2 bilhões em 2025, com queda de 4,2% em relação ao ano anterior. Entre os 15 principais segmentos exportadores, nove registraram redução, com destaque para produtos de metal, madeira, celulose e papel e veículos automotores. A entidade avalia que novas barreiras tarifárias podem ampliar essas dificuldades.
O Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC) também apontou preocupação com os efeitos da proposta. O ministro Márcio Elias Rosa destacou que os setores mais atingidos incluem máquinas e equipamentos, produtos de plástico, calçados, madeira, papel cartão, ferro fundido e peixes e crustáceos. Segundo ele, a medida pode atingir cerca de 21% das exportações brasileiras para o mercado norte-americano.
O governo brasileiro afirma que mantém canais de negociação abertos com os Estados Unidos e que o diálogo segue em andamento em reuniões técnicas com o USTR.
Impactos
Além da tarifa de 25%, o USTR também propôs a aplicação de tarifas adicionais sobre países que, segundo o órgão, não adotam medidas efetivas contra a importação de produtos associados ao trabalho forçado. No caso do Brasil, a proposta prevê uma alíquota de 12,5% dentro desse conjunto de economias.
O presidente do Conselho Regional de Economia do Ceará, Wandemberg Almeida, avalia que as medidas podem gerar impactos relevantes sobre a economia brasileira. Segundo ele, uma sobretaxa tende a reduzir a competitividade dos produtos brasileiros, afetando especialmente setores manufaturados e parte do agronegócio, além de pressionar exportações, receitas das empresas e o mercado de trabalho.
“As tarifas propostas pelos Estados Unidos podem gerar impactos relevantes para a economia brasileira, especialmente sobre exportações, indústria e emprego. Como os EUA são um dos principais parceiros comerciais do Brasil, uma sobretaxa de 25% tende a reduzir a competitividade dos produtos brasileiros naquele mercado, afetando principalmente setores manufaturados e parte do agronegócio. Com a queda das exportações, empresas podem enfrentar redução de receitas, pressionando investimentos e a geração de empregos. Além disso, a menor entrada de dólares pode provocar desvalorização cambial e pressionar a inflação, ampliando os desafios para o crescimento econômico. Por isso, a busca por uma solução diplomática é fundamental para evitar prejuízos maiores à atividade produtiva nacional”, afirmou o economista.
Mais
Como parte das negociações, o Brasil deve retirar o veto a um acordo global sobre comércio eletrônico na OMC, em um movimento interpretado como tentativa de distensionar as relações comerciais e evitar novas tarifas dos Estados Unidos.







