domingo , 07 de junho de 2026 @ 16:22

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maria helena de sousa netto costa, em goiá

Suspeita presa em Goiás mantinha contato com coiotes e comprava passagens para entrada ilegal de brasileiros nos EUA, diz PF

A Polícia Federal prendeu, nesta quinta-feira (7), uma mulher suspeita de chefiar um esquema de migração ilegal de brasileiros para os Estados Unidos. Segundo as investigações, ela mantinha contato direto com coiotes, organizava a compra de passagens e coordenava toda a logística para a entrada clandestina no território norte-americano.

A suspeita foi identificada como Maria Helena de Sousa Netto Costa, presa em casa, em Goiânia, durante uma operação da PF contra grupos especializados no contrabando de imigrantes. Conforme a polícia, cinco organizações criminosas investigadas movimentaram cerca de R$ 240 milhões entre 2018 e 2023.

De acordo com os investigadores, cada brasileiro pagava, em média, US$ 20 mil para entrar ilegalmente nos Estados Unidos. Ao menos 477 pessoas teriam sido enviadas ao país nesse período, mas a PF acredita que o número real pode ser ainda maior.

Maria Helena é sogra do governador de Goiás, Daniel Vilela. Em nota, o governador afirmou que o caso não possui qualquer relação com ele, com sua esposa ou com o Governo de Goiás. Segundo o posicionamento, os fatos investigados são anteriores ao atual mandato e vêm sendo apurados desde os anos 2000.

As investigações apontam que Maria Helena atuava há mais de 20 anos no agenciamento de imigrantes ilegais para os EUA, utilizando rotas que passavam pelo México e pelo Panamá. A Polícia Federal afirma ainda que ela providenciava suporte jurídico para migrantes presos durante o trajeto.

Além da prisão, a operação cumpriu mandados de busca e apreensão em endereços ligados à família da investigada. O marido dela também foi alvo das ações policiais.

Os suspeitos presos em Goiânia poderão responder por promoção de migração ilegal, lavagem de dinheiro e organização criminosa. Somadas, as penas podem chegar a 23 anos de prisão.

Segundo a PF, os grupos atuavam de forma estruturada, com integrantes em diversos estados brasileiros e também no exterior. Eles eram responsáveis por organizar desde a saída dos migrantes do Brasil até a chegada aos Estados Unidos, além de oferecer suporte logístico, recepção em outros países e intermediação financeira das operações.

As investigações também identificaram o uso de empresas de fachada, laranjas e esquemas de lavagem de dinheiro para ocultar a origem dos valores obtidos com o esquema criminoso.

A defesa de Maria Helena afirmou, em nota, que recebeu a operação com surpresa e classificou a prisão preventiva como desnecessária. Os advogados disseram ainda que aguardam acesso completo ao processo para realizar uma análise técnica do caso.

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