quinta-feira , 23 de julho de 2026 @ 20:21

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Foto: Getty Images/BBC

Pesquisa mostra que 65% dos professores já sofreram violência no ambiente escolar

Uma pesquisa do Centro do Professorado Paulista (CPP)revelou que 65%dos professores afirmam já ter sofrido algum tipo de violência em sala de aula ou no ambiente escolar. Entre as agressões mais frequentes estão a violência verbal (71%), psicológica e moral (58%), institucional (27%) e física (19%). O tema voltou ao debate após casos recentes de agressões contra docentes em escolas públicas de São Paulo.

Além do levantamento do CPP, dados da Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE) mostram que o Brasil lidera o ranking de violência contra professores entre 55 países pesquisados. No país, 47% dos docentes afirmam sofrer intimidação ou abuso verbal por parte de estudantes, percentual muito acima da média global de cerca de 18%.

Relatos de educadores ilustram a gravidade do problema. Uma professora foi ameaçada de morte pelo pai de um aluno e precisou ser afastada da escola. Outro professor sofreu agressão física ao tentar conter um estudante, enquanto ainda uma outra teve parte de um dedo amputado durante uma crise de desregulação emocional de um estudante com deficiência. Em ambos os casos, os profissionais relatam impactos psicológicos e afastamento das atividades.

Especialistas afirmam que a violência contra professores vai além das agressões físicas e inclui ameaças, assédio, perseguição, falta de estrutura nas escolas e condições inadequadas de trabalho. Segundo a psicóloga Renata Paparelli, da PUC-SP, esse cenário contribui para o aumento de casos de burnout, depressão e transtorno de estresse pós-traumático entre educadores. Em 2024, professores da rede estadual paulista receberam mais de 42 mil licenças por transtornos mentais e comportamentais.

Representantes da categoria defendem medidas distintas para enfrentar o problema. Enquanto o Centro do Professorado Paulista propões mudanças no Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA) para ampliar a responsabilização em casos de violência, especialistas e entidades sindicais defendem o fortalecimento das políticas de inclusão, melhores condições de trabalho, ampliação das equipes escolares e maior integração entre escola, famílias e comunidade.

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