terça-feira , 14 de julho de 2026 @ 19:05

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Foto: Luiz Lima Jr/FotoArena/Estadão Conteúdo

Levantamento revela que violência contra crianças e adolescentes continua frequente mesmo que a maioria dos brasileiros defenda diálogo na educação

A maioria dos brasileiros considera o diálogo a principal forma de educar crianças, mas práticas de violência física e verbal continuam presentes no cotidiano. Pesquisa do Instituto Futuro é Infância Saudável (Infinis), em parceria com a Quaest, mostra que 91% dos entrevistados defendem a conversa como a melhor estratégia para corrigir comportamentos infantis, enquanto 62% admitem já ter gritado com uma criança, 49% afirmam ter dado tapas e 27% dizem ter utilizado objetos para bater.

O levantamento ouviu 2.202 pessoas com 18 anos ou mais, em 128 municípios brasileiros, entre 29 de maio e 7 de junho de 2026.

A pesquisa também aponta que a violência contra crianças permanece socialmente tolerada. Segundo o estudo, 62% dos entrevistados afirmam que não reagiram ao presenciar uma criança recebendo palmadas ou puxões de orelha em um espaço público. Além disso, 74% acreditam que a violência contra crianças e adolescentes aumentou nos últimos anos.

Os resultados evidenciaram uma diferença entre o discurso e a prática. Embora 91% defendam o diálogo como modelo ideal de educação, 37% consideram aceitável gritar com crianças, 35% avaliam como aceitável ameaçar bater e 47% apontam o castigo com restrição de lazer como medida ideal de disciplina.

Em nota divulgada com o estudo, a diretora executiva do Infinis, Márcia Kalvon, afirmou que ainda existe uma distância entre o reconhecimento dos direitos das crianças e as práticas adotadas no dia a dia.

Na comparação com 2023, todos os indicadores de violência relatados pelos entrevistados apresentaram queda.

O percentual dos que afirmam já ter gritado com uma criança caiu de 66% para 62%;

os que admitiram dar tapas passaram de 52% para 49%;

e o uso de objetos para bater recuou de 38% para 27%.

O levantamento também investigou a percepção sobre os direitos da infância. Embora 93% dos entrevistados afirmem que a educação deve ser prioridade, a aceitação do trabalho infantil permanece elevada em determinadas situações. Entre crianças de até 11 anos, 61% consideram aceitável trabalhar para evitar que permaneçam nas ruas. Entre adolescentes de 12 a 17 anos, esse percentual chega a 93%.

Outro dado apontado pela pesquisa é o baixo conhecimento sobre a legislação de proteção à infância: 71% dos entrevistados não conseguiram citar nenhuma lei voltada à proteção de crianças e adolescentes. Psicólogos foram os profissionais que inspiram maior confiança para atuar nessa área, seguimos pela polícia, Conselho Tutelar, assistentes sociais, CRAS e unidades de saúde.

Segundo a análise, pessoas que sofreram mais punições durante a infância tendem a aceitar e utilizar com maior frequência métodos disciplinares mais rígidos, embora o estudo ressalte que essa relação não seja determinante e que parte dos entrevistados rompe esse ciclo na vida adulta.

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